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A NR-1 foi atualizada para exigir que as empresas incorporem os riscos psicossociais ao PGR, com foco em prevenir adoecimentos ocupacionais como estresse, depressão e ansiedade. E a autuação pela Inspeção do Trabalho terá início em 26/05/2026.
Para a empresa, isso não é “tema de RH”: é gestão de risco trabalhista. A obrigação envolve incluir os riscos psicossociais no inventário do PGR , identificar, avaliar e documentar fatores psicossociais e implementar medidas de controle (por exemplo, “revisão de jornadas, metas, processos de suporte, canais de denúncia, capacitação de lideranças”), além de monitorar e revisar e garantir a participação dos trabalhadores — mantendo toda a documentação organizada e disponível para fiscalização.
O risco de não implementar — ou de implementar apenas “no papel” — é imediato e mensurável. A partir de 2026, a ausência de gestão efetiva dos riscos psicossociais no PGR (NR-1) tende a se traduzir em autos de infração e multas. No contencioso trabalhista, o impacto costuma ser ainda mais sensível: diante de alegações de adoecimento relacionado ao trabalho, a falta de evidências de prevenção, controle e monitoramento fragiliza a defesa e amplia a exposição a indenizações por danos morais e materiais, à luz das regras gerais de responsabilidade civil (Código Civil, arts. 186 e 927), sem prejuízo de, em situações extremas, haver discussão sobre responsabilidade penal quando a conduta empresarial expõe trabalhadores a perigo.
Em linguagem prática: quando o tema chega a uma reclamação trabalhista (ou a uma fiscalização), a pergunta deixa de ser “a empresa se importa?” e passa a ser “a empresa consegue provar que mapeou, controlou e acompanhou os riscos?”. Sem inventário consistente, plano de ação, evidências de medidas e registros (treinamentos, comunicações, apurações, ajustes), cresce a exposição a danos morais e materiais, além de custos de gestão de crise, rotatividade e afastamentos.
O caminho mais eficiente até 2026 é transformar saúde psíquica em rotina de gestão, não em iniciativa pontual. Uma campanha psicossocial contínua — com comunicação clara, ações de conscientização, capacitação de lideranças e canais efetivos de acolhimento e reporte — ajuda a identificar riscos, corrigir causas (metas, jornadas, assédio, sobrecarga, falhas de suporte) e acompanhar resultados. Quando isso é refletido no PGR com inventário, medidas de controle e evidências, a empresa não apenas se prepara para a exigência, ela melhora o clima, reduz afastamentos e fortalece governança com um modelo sustentável de prevenção.
Data: 09/03/26